A tentativa de vender a ideia de que o Progressistas “não quer” a reunião do dia 20 de janeiro esbarra em um obstáculo simples: os números.
Dos 100 membros titulares do Diretório Estadual, apenas 17 assinaram o documento que anuncia boicote ao encontro. Isso significa que 83% dos titulares não aderiram à carta e seguem dispostos a atender a convocação feita pelo presidente estadual do partido, Covatti Filho.
Ampliando o recorte para o conjunto total de172 integrantes, apenas 21 nomes se colocam contra a reunião, o que representa cerca de 12,21% do colegiado. Ou seja, pouco mais de um décimo do partido tenta sustentar a narrativa de rejeição ao encontro que definirá os rumos do PP para a eleição ao Piratini e desembarque do governo Eduardo Leite.
A convocação, vale lembrar, segue rigorosamente o regimento interno. Segundo Covatti Filho, todos tinham conhecimento prévio da reunião e o encontro, inclusive, estava previsto para dezembro. Foi adiado para janeiro justamente a pedido de lideranças, em um gesto de diálogo e transparência.
Do outro lado, os signatários da carta defendem um calendário alternativo de debates no Interior, sob o argumento de ampliar a escuta da base. Um discurso legítimo, mas que não altera o dado central: a ampla maioria do partido não viu motivo para boicotar a reunião.
Nos bastidores, chama atenção o esforço artificial de Ernani Polo para convencer o partido de que o partido não quer decidir. A matemática, porém, insiste em atrapalhar a retórica. Com mais de 80% dos titulares dispostos a comparecer, fica difícil sustentar que o PP esteja dividido a ponto de paralisar suas instâncias.
A reunião do dia 20 acontece não por imposição, mas porque a maioria entende que é hora de decidir.
Carta contra reunião do Progressistas mal passa de 10% de apoio entre quem decide e escancara o desespero
Por J. Saraiva
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