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Coreto derrubado, tráfico permanece: a curiosa solução para a Praça Piratini

Por J. Saraiva

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Coreto derrubado, tráfico permanece: a curiosa solução para a Praça Piratini
A derrubada do tradicional coreto da Praça Piratini, em frente ao Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, produziu um efeito imediato: o coreto desapareceu. Já o tráfico de drogas, a insegurança e os problemas que há anos geram reclamações de moradores, estudantes e comerciantes da região seguem onde sempre estiveram.

Construída em 1987, a estrutura foi demolida nesta quarta-feira (10) após um laudo técnico apontar problemas estruturais e risco à segurança. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos informou que o coreto não possuía proteção patrimonial e que a remoção atendeu a uma demanda apresentada durante o programa Mais Comunidade. O espaço não será reconstruído.

Até aí, tudo dentro da normalidade administrativa. O problema é a mensagem que fica.

Há décadas a Praça Piratini convive com denúncias de tráfico, consumo de drogas e degradação. Diante desse cenário, a cidade assiste a uma solução curiosa: o patrimônio sai de cena, mas os criminosos continuam no palco.

A pergunta que muitos moradores fazem é simples: quando um local se transforma em ponto de tráfico, o correto é eliminar a estrutura física ou eliminar a atividade criminosa? Porque, pelo raciocínio adotado, o problema aparentemente não eram os traficantes, mas o coreto.

Se a moda pega, talvez seja necessário demolir bancos de praça, paradas de ônibus, viadutos e qualquer outro espaço que venha a ser ocupado pela criminalidade. O combate ao crime ficaria muito mais fácil: em vez de retirar os criminosos, retiram-se os cenários.

É evidente que uma estrutura condenada precisa ser removida por questões de segurança. Mas o que a população espera é que os espaços públicos sejam retomados pelo cidadão de bem, pelas famílias e pelos estudantes. Porque derrubar um coreto pode ser uma solução rápida. Difícil é devolver a segurança e garantir que a cidade volte a pertencer a quem sempre deveria ocupá-la.

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