Antigos aliados em Brasília, mas afastados no Rio Grande do Sul há mais de uma década, PT e PDT vivem uma crise que se arrasta há meses e ganhou novos capítulos nos últimos dias. O estopim recente foi uma postagem de Edegar Pretto após reunião em Brasília com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. A publicação foi interpretada por pedetistas como possível sinal de recuo do PT na disputa ao governo, ampliando a desconfiança entre as siglas.
Hoje, o cenário está dividido em dois campos. O PT já formou aliança com PCdoB, PV, PSol, Rede e PSB, lançou Edegar Pretto ao Piratini e definiu Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta para o Senado, mantendo a vaga de vice aberta ao PDT. Já o PDT aposta em Juliana Brizola como pré candidata ao governo, ainda sem alianças formalizadas, embora siga na base de Eduardo Leite e ocupe cargos no primeiro escalão.
Nos bastidores, o PDT pressiona o PT a abrir mão da cabeça de chapa e aceitar a vice. A disputa no Estado também se conecta ao projeto de reeleição de Lula, já que pedetistas usam o apoio ao presidente em outros estados como argumento para cobrar reciprocidade no RS.
Dentro do próprio PT, embora a candidatura de Edegar seja a posição oficial, há quem defenda uma composição mais ampla, priorizando a eleição de um senador. O impasse se agrava por divergências acumuladas nos últimos anos, como a proximidade de setores do PDT gaúcho com o bolsonarismo e a presença do partido na base de Eduardo Leite. O presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, afirma que o tema está sendo tratado apenas em nível nacional.
Crise entre PT e PDT no RS se aprofunda e decisão pode sair ainda em março
Por J. Saraiva
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