Ao afirmar que não apoiou nem Lula nem Bolsonaro em 2022 e apresentar isso como prova de “independência política”, o governador Eduardo Leite tenta transformar a falta de posicionamento em virtude. A declaração, feita à CNN, reforça uma estratégia que tem marcado sua trajetória recente: evitar assumir lado em momentos decisivos, mas reagir com desconforto quando é cobrado, criticado ou vaiado por isso.
Leite costuma exigir respeito ao seu discurso de independência, porém se constrange quando a sociedade ou setores políticos apontam essa postura como omissão. Em um cenário polarizado, não tomar posição também é uma escolha política, com consequências. O governador agora cobra compreensão por ter “pago um preço”, mas ignora que a crítica pública é parte natural do processo democrático, especialmente para quem opta por não se comprometer claramente.
A tentativa de se colocar acima dos polos pode soar como moderação para alguns, mas para outros revela falta de firmeza e dificuldade em assumir responsabilidades políticas mais claras.
O paradoxo é evidente: Leite reivindica o direito de não se posicionar, mas reage mal quando essa decisão é questionada. Em política, neutralidade também gera cobrança, e não deveria surpreender.
Independência ou ausência de posicionamento?
Por J. Saraiva
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