A partir desta sexta-feira, dia 6, começa o período conhecido como janela partidária. Durante 30 dias, deputados estaduais, federais e distritais poderão trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. A regra dispensa justificativas formais, embora, na prática, as decisões estejam quase sempre ligadas a estratégias eleitorais, cálculo de votos e melhores condições de campanha.
Conforme aponta a jornalista Rosane de Oliveira, na bancada federal gaúcha, duas alterações já estão definidas e uma terceira segue em análise. O deputado Lucas Redecker deixará o PSDB para ingressar no PSD, acompanhando o movimento do governador Eduardo Leite. Já Any Ortiz trocará o Cidadania pelo PP, mirando a disputa pela Prefeitura de Porto Alegre em 2028. No PSB, Heitor Schuch ainda avalia seu futuro diante de impasses internos.
Antes mesmo da abertura oficial da janela, dois parlamentares federais já haviam sido autorizados a mudar de partido. Maurício Marcon e Osmar Terra receberam aval de suas siglas para se filiar ao PL.
Na Assembleia Legislativa, o impacto tende a ser ainda maior. Estima-se que entre seis e oito cadeiras possam mudar de partido. O PSDB, que elegeu cinco deputados em 2022, deve ficar sem representação. Professor Bonatto já antecipou sua saída rumo ao PSD, mesmo destino de Nadine Anflor, Pedro Pereira e Neri, o Carteiro. Kaká D'Ávila acertou filiação ao Podemos.
Também está confirmada a troca de Elisandro Sabino, que deixará o PRD para ingressar no Republicanos. Outros movimentos seguem em negociação, como os casos de Elton Weber, afetado pela crise no PSB, e Doutor Thiago, que pode retornar ao PDT.
O deputado Gaúcho da Geral chegou a considerar acompanhar Any Ortiz, mas deve permanecer no PSD.
Já Luiz Carlos Busato, presidente do União Brasil no Estado, avaliou migrar para o MDB após a federação com o PP, mas optou por seguir na sigla e será o único nome do partido à Câmara dos Deputados.
A janela partidária, mais uma vez, confirma que o tabuleiro político está longe de ficar estático e que alianças, estratégias e sobrevivência eleitoral seguem ditando o ritmo das mudanças.
Janela partidária movimenta cenário político e abre temporada de mudanças
Por J. Saraiva
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