Opinião

Leite aposta na loteria estadual e proposta acende alerta sobre avanço dos jogos

Por J. Saraiva

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Leite aposta na loteria estadual e proposta acende alerta sobre avanço dos jogos
O governador Eduardo Leite confirmou que pretende encaminhar até o fim de fevereiro à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul um projeto de lei em regime de urgência para viabilizar a operação da loteria estadual em quatro modalidades. O anúncio foi feito durante a posse do novo presidente da Casa, Sergio Peres, marcando a abertura do ano legislativo de 2026.

A proposta está amparada na legislação que autorizou a exploração do serviço pelo Estado e foi estruturada pela Secretaria de Parcerias e Concessões com apoio técnico especializado.
Segundo o governo, o texto passou por consulta pública e prevê diferentes formatos de operação, inclusive o credenciamento de empresas de apostas esportivas, ponto que já provoca resistência entre parlamentares, inclusive da base aliada.

O deputado Tiago Simon (MDB) manifestou posição contrária à inclusão das bets e afirmou ter solicitado ao vice-governador Gabriel Souza a revisão do trecho. Já o líder do governo, Frederico Antunes (PP), também defende a retomada das loterias, mas sem a presença das apostas esportivas.

O modelo prevê delegar à iniciativa privada a implantação e a operação de apostas de quota fixa, prognósticos, jogos instantâneos e loterias tradicionais. O desenho inclui uma concessão comum de 20 anos, com outorga mínima superior a R$ 100 milhões, além de credenciamentos de cinco anos para operadores de apostas esportivas, com valores iniciais a partir de R$ 5 milhões.

No entanto, a iniciativa chega em um momento sensível. Com o crescimento dos casos de dependência em jogos e relatos cada vez mais frequentes de pessoas comprometendo renda e endividando famílias, a proposta levanta um questionamento inevitável: é esse o caminho que o Estado deve estimular?

Em vez de ampliar a arrecadação à custa da esperança de quem já enfrenta dificuldades financeiras, cresce a preocupação de que o Rio Grande do Sul acabe criando sua própria versão do “tigrinho”, institucionalizando um problema social que já preocupa especialistas e a sociedade.

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