O Ministério da Educação credenciou oficialmente a Faculdade Josué de Castro, instalada no assentamento Filhos de Sepé, em Viamão. Com a decisão, a instituição passa a integrar o sistema federal de ensino superior e inaugura uma nova etapa na formação acadêmica vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
A faculdade surge como desdobramento do Instituto de Educação Josué de Castro, criado em 1995 para ofertar ensino médio e formação técnica a jovens e adultos de assentamentos e organizações populares. Segundo o coordenador geral do instituto, Miguel Stédile, o credenciamento representa o reconhecimento de um acúmulo histórico de mais de quatro décadas, tanto no campo político quanto pedagógico.
O primeiro curso autorizado é o tecnólogo em Gestão de Cooperativas, com foco na administração de empreendimentos coletivos e iniciativas da economia solidária. A proposta acadêmica prevê a integração entre ensino, pesquisa e extensão a partir das demandas dos territórios da reforma agrária, com produção de conhecimento voltada aos desafios enfrentados por trabalhadores do campo.
A instituição também projeta atuação além das fronteiras nacionais, com a possibilidade de receber estudantes de outros países e promover processos formativos conectados a organizações populares internacionais.
O credenciamento marca um avanço institucional para o movimento, que passa a ter autonomia administrativa e pedagógica para ofertar cursos superiores. Ainda assim, a iniciativa reacende um debate inevitável no país.
Afinal, qual tem sido a contribuição efetiva do MST para o desenvolvimento social e econômico do Brasil, além de episódios frequentemente associados a invasões de propriedades e à formação de militância política?
MEC credencia primeira faculdade ligada ao MST no Rio Grande do Sul
Por J. Saraiva
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