Um manifesto assinado por 230 personalidades de 50 países convoca a comunidade internacional para a chamada Conferência Internacional Antifascista e Anti-imperialista, marcada para Porto Alegre entre 26 e 29 de março.
O objetivo oficial é denunciar o avanço da chamada extrema-direita no mundo. O resultado prático, porém, já é conhecido antes mesmo do primeiro painel: muito slogan, muita palavra de ordem e nenhuma autocrítica.
O evento reúne defensores do comunismo, uma ideologia historicamente associada a milhões de mortes ao longo do século XX, que agora se apresentam como guardiões da democracia e dos direitos humanos.
A contradição não constrange. Pelo contrário, é tratada como virtude.
Também não surpreende a presença de integrantes do MST, movimento conhecido por invasões de propriedade, conflitos no campo e episódios recorrentes de violência. Questionar esses métodos é suficiente para receber o rótulo automático de “fascista”. O debate morre antes de começar.
No cenário internacional, a incoerência fica ainda mais explícita. Parte dessa esquerda ataca Israel, a única democracia do Oriente Médio, enquanto relativiza ou até justifica o terrorismo do Hamas. Para esse grupo, a violência só incomoda quando não vem do lado considerado ideologicamente correto.
O manifesto afirma combater o autoritarismo, mas silencia diante de ditaduras aliadas, relativiza censura, ignora perseguições políticas e transforma o termo “fascismo” em um xingamento genérico contra qualquer discordância. Tudo vira fascismo, exceto o autoritarismo dos amigos.
No fim das contas, Porto Alegre sediará mais um grande encontro internacional menos voltado ao debate sério e mais dedicado à reafirmação de uma bolha ideológica. Uma bolha barulhenta, autocongratulatória e profundamente incapaz de encarar as próprias contradições.
Militantes de 50 países se reúnem no RS para combater um fascismo que só eles enxergam
Por J. Saraiva
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