Sob o pretexto de mais uma “jornada de luta”, cerca de 500 militantes do MST ocuparam na madrugada desta segunda-feira uma área de 400 hectares da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em São Gabriel. O alvo desta vez não foi um latifúndio improdutivo, mas uma área pública dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento do agro gaúcho.
A ocupação ocorre dentro da chamada Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada em todo o país entre os dias 8 e 12 de março. O movimento afirma que a ação é um protesto contra a paralisação da reforma agrária e cobra do governo estadual e do Incra a destinação de áreas para assentamentos.
Na prática, o que se viu foi mais uma invasão organizada, com ônibus de militantes deslocados até a região. Parte deles foi barrada pela Brigada Militar, mas os manifestantes seguiram em marcha até a área da Fepagro.
Entre os argumentos apresentados pelo movimento está a criação de um espaço para acolhimento de mulheres e geração de renda. A justificativa, no entanto, não muda o fato de que a ocupação atinge uma área pública estratégica para a pesquisa agropecuária no Rio Grande do Sul, setor responsável por grande parte da riqueza do Estado.
Enquanto produtores trabalham para recuperar o campo depois de estiagens, enchentes e prejuízos sucessivos, movimentos organizados insistem em transformar invasões em instrumento de pressão política. No campo, quem produz precisa de segurança jurídica. O resto é apenas teatro ideológico travestido de luta social.
MST invade área pública de pesquisa em São Gabriel
Por J. Saraiva
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