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Professor Bonatto coloca o PSDB contra a parede

Por J. Saraiva

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Professor Bonatto coloca o PSDB contra a parede

Se o PSDB não quiser perder o deputado Professor Bonatto para o PSD, terá de fazer uma escolha constrangedora. Ou fica com Bonatto, ou mantém a relação com o prefeito afastado Rafael Bortoletti. Se Bonatto também sair, o partido corre o risco real de ficar sem qualquer representação na Assembleia Legislativa, já que os demais deputados tucanos planejam deixar a sigla na próxima janela partidária.

Em carta enviada a Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, Bonatto deixa claro que só permanece no partido se puder corrigir os rumos da legenda em sua aldeia política, Viamão, município que administrou por dois mandatos. A carta tem endereço nacional, mas destinatários bem locais. O recado é direto ao presidente estadual Moisés Barboza e ao vice Marcelo Maranata, que hoje comandam o PSDB no Estado e mantêm boa relação com Bortoletti.

Nos bastidores, circula a informação de que o prefeito afastado já teria formatado uma nova executiva estadual do partido, movimento que empurraria Bonatto para o PSD. A carta, com duas páginas, faz um resgate detalhado do desempenho eleitoral dos tucanos em Viamão e do papel central do deputado na construção desse projeto. Bonatto lembra que foi o responsável direto pela eleição de Bortoletti e não poupa críticas à gestão que, segundo ele, levou ao afastamento do prefeito.

“Em 2024, mais uma vez, o povo de Viamão confiou no PSDB e no projeto que lidero: elegemos prefeito e vice-prefeito do PSDB, reafirmando a força partidária construída ao longo dos anos. No entanto, por desvios graves de caráter moral, por condutas inescrupulosas e pela traição ao projeto de cidade, esses gestores abandonaram os valores que defendemos”, escreveu.

O trecho mais duro da carta trata diretamente da administração de Bortoletti. “A atual condução administrativa do município, sob a responsabilidade do prefeito Rafael Bortoletti, condenado criminalmente e afastado, representa uma das páginas mais vergonhosas da história recente da cidade e uma mancha profunda na trajetória do PSDB local. Trata-se de uma gestão desastrosa, irresponsável e moralmente reprovável, marcada pela ausência absoluta de projeto, pelo desprezo ao interesse público e por um rombo superior a R$ 50 milhões nas contas da Prefeitura. A degradação dos serviços públicos, o abandono das pessoas, o colapso administrativo e a completa desorganização da máquina pública afrontam diretamente tudo aquilo que o PSDB construiu ao longo de sua história em Viamão. São práticas que negam os valores da boa gestão, da ética e da responsabilidade fiscal que sempre caracterizaram as administrações tucanas no município. Essa condução inescrupulosa envergonha filiados históricos e agride frontalmente a identidade do partido perante a sociedade”.

No fim das contas, a crise expõe um dilema incômodo para o PSDB gaúcho. Ou preserva um deputado com capital político, história e voto, ou insiste em proteger os escombros de uma gestão que o próprio partido hoje tenta explicar.

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