A análise publicada pela jornalista Rosane de Oliveira, ao atribuir à CPI dos Pedágios a responsabilidade pelo fracasso do leilão das rodovias estaduais, ignora um ponto fundamental: quem tornou o modelo inviável não foram os deputados, mas o próprio projeto apresentado pelo governo Eduardo Leite. A comissão apenas escancarou problemas que milhares de gaúchos já denunciavam há meses.
Ao sugerir que o insucesso do leilão seria consequência do trabalho da CPI, Rosane de Oliveira acaba assumindo uma posição que se aproxima mais da defesa do projeto do governo do que da análise dos impactos que ele teria sobre a população. Em seu texto, há grande preocupação com a falta de investidores, mas pouca atenção aos milhares de gaúchos que seriam obrigados a conviver com novas tarifas, cobranças eletrônicas e custos crescentes para trabalhar, produzir e se deslocar.
A CPI ouviu prefeitos, produtores rurais, empresários, transportadores e cidadãos comuns que seriam diretamente afetados pelas novas cobranças. Ignorar essas vozes em nome de uma visão exclusivamente financeira é inverter as prioridades.
Se investidores não demonstraram interesse no projeto, talvez a pergunta correta não seja por que a CPI investigou, mas por que o modelo elaborado pelo governo não conseguiu convencer nem o mercado nem a sociedade. Um projeto sólido suporta questionamentos. Um projeto frágil desmorona quando submetido ao escrutínio público.
Também chama atenção a tentativa de tratar como inevitável a escolha entre pedágios caros ou estradas precárias. O debate nunca foi contra investimentos em infraestrutura. O debate sempre foi contra um modelo considerado injusto, caro e desconectado da realidade econômica de quem vive e produz no interior do Estado.
A CPI dos Pedágios cumpriu exatamente seu papel institucional: fiscalizar, questionar e dar transparência a um processo que envolve bilhões de reais e impacta milhões de gaúchos.
O fracasso do leilão não representa uma derrota da CPI. Representa um recado claro de que os gaúchos não estão dispostos a aceitar qualquer modelo de concessão simplesmente porque parte da imprensa ou do governo insiste em dizer que não existe alternativa.
Rosane de Oliveira ignora a população ao culpar CPI dos Pedágios pelo fracasso do leilão
Por J. Saraiva
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