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UGEIRM critica plano de Leite contra feminicídios e aponta falta de efetivo na Polícia Civil

Por J. Saraiva

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UGEIRM critica plano de Leite contra feminicídios e aponta falta de efetivo na Polícia Civil
O plano estadual de combate ao feminicídio anunciado pelo governador Eduardo Leite passou a enfrentar críticas também de dentro da área da segurança pública. A UGEIRM, sindicato que representa os agentes da Polícia Civil, afirmou que o pacote de medidas apresentado pelo governo tem caráter tardio e, em alguns pontos, “beira a demagogia”.

Batizado de Programa Estadual de Proteção e Promoção dos Direitos das Mulheres, o plano prevê investimentos e ações voltadas ao fortalecimento da rede de proteção, prevenção da violência e promoção da autonomia feminina no Rio Grande do Sul.
Para a entidade, no entanto, muitas das iniciativas apresentadas não representam avanços estruturais, mas medidas básicas que já deveriam fazer parte das políticas permanentes de proteção às mulheres. O sindicato também lembra que diversas estruturas voltadas a essa pauta foram desmontadas ao longo da última década e só começaram a ser retomadas recentemente.

Outro ponto criticado pela UGEIRM é a falta de efetivo nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Segundo o sindicato, atualmente existem cerca de 178 agentes de polícia atuando nessas delegacias em todo o Estado, número considerado insuficiente para atender a demanda. A entidade estima que seria necessário ao menos o dobro desse efetivo para garantir um atendimento adequado.

Na avaliação do sindicato, algumas das ações anunciadas pelo governo, como a ampliação do horário de funcionamento das delegacias especializadas e a implantação de novas tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores, esbarram justamente nessa carência de pessoal.

A diretora da UGEIRM, Neiva Carla Back, afirma que políticas públicas de combate à violência contra a mulher só terão resultado real se houver investimento nas condições de trabalho dos profissionais que atuam na linha de frente. Segundo ela, ampliar estruturas sem reforçar o efetivo pode acabar sobrecarregando ainda mais os policiais.

O vice-presidente da entidade, Fábio Castro, também criticou a falta de diálogo do governo com os profissionais da segurança pública. Para ele, muitas das propostas apresentadas não refletem a realidade enfrentada diariamente nas unidades da Polícia Civil. O dirigente afirma que medidas voltadas ao combate à violência contra a mulher precisam ser construídas com a participação de quem atua diretamente no atendimento às vítimas.

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