A promessa de apoio do governo federal para renegociar dívidas rurais no Rio Grande do Sul, com a liberação de R$ 12 bilhões e juros subsidiados, tem alcançado um número muito menor de agricultores do que o anunciado. Segundo entidades do setor, apenas um em cada cinco produtores consegue aprovação dos bancos para refinanciamento, apesar de o programa ter sido apresentado como um socorro para pequenos, médios e grandes produtores.
A maior parte dos pedidos é negada, o que impede que agricultores endividados alonguem prazos para até nove anos. Na prática, muitos estão sendo direcionados a renegociações com juros de mercado, que giram em torno de 16% ao ano, patamar considerado inviável para produtores já sufocados por quatro secas em cinco anos e queda na renda.
Com o crédito travado, cresce o risco de redução de áreas plantadas de soja e arroz, uso de sementes próprias e diminuição de adubos para reduzir custos. A situação é agravada pela queda nos preços. A saca de arroz tem sido vendida em torno de R$ 50, valor muito abaixo dos cerca de R$ 75 necessários para cobrir os custos. No caso da soja, a média de R$ 122,50 também está distante de garantir equilíbrio financeiro.
O cenário pressiona a continuidade das atividades agrícolas. Em diversas regiões, produtores estudam vender patrimônio, repassar áreas ou abandonar a lavoura diante da impossibilidade de seguir adiante.
Além dos impactos econômicos, cresce a preocupação com a saúde mental no campo. O aumento do endividamento, a frustração de safras e a falta de perspectiva têm sido apontados como fatores que contribuem para o avanço de casos de depressão e suicídio entre agricultores. Lideranças rurais e técnicos alertam que o drama financeiro já se tornou um drama humano, exigindo respostas urgentes para evitar mais perdas e garantir a sobrevivência do setor produtivo.
Apenas 1 em cada 5 produtores consegue refinanciar dívidas rurais no RS e aumenta preocupação com suicídios no campo
Por J. Saraiva
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