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Base racha como em 2017 e história pode se repetir no Piratini

Por J. Saraiva

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Base racha como em 2017 e história pode se repetir no Piratini
A movimentação partidária no Rio Grande do Sul lembra, cada vez mais, o filme já visto em 2017. Naquele momento, o então governador José Ivo Sartori viu sua base se esvaziar quando o PSDB decidiu abandonar o governo para lançar a candidatura de Eduardo Leite ao Palácio Piratini. Na sequência, partidos como PTB, Progressistas e PPS firmaram apoio a Leite. No segundo turno, PV e Solidariedade também aderiram ao projeto tucano.

O resultado foi um isolamento político progressivo de Sartori e a consolidação de uma nova maioria em torno de Leite.
Agora, o cenário parece se repetir, com sinais trocados. O governador Eduardo Leite enfrenta o enfraquecimento de sua coalizão enquanto partidos deixam a base e se alinham a pré-candidaturas adversárias ao Piratini. O principal beneficiado, até o momento, é o deputado federal Luciano Zucco, pré-candidato do PL, que já confirmou o apoio de Republicanos, Novo e Podemos, além de contar com a sinalização de adesão do Progressistas.

O PSB vive divisão interna. O vice presidente nacional da sigla, Beto Albuquerque, indicou que pode assumir o comando estadual e aproximar o partido da pré-candidatura petista de Edegar Pretto (PT). Já o presidente estadual, José Stédile, sustenta que se trata de posição individual. Se confirmada a saída, será mais um golpe na sustentação do governo.

O PDT também anunciou pré-candidatura própria, com Juliana Brizola, e deve deixar formalmente a base até abril, enquanto negocia possível aliança com o PT.

Até mesmo o antigo partido de Leite, o PSDB, decidiu lançar candidatura própria, com o prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata.

O desenho que se forma expõe um governador que tenta demonstrar peso político em meio a uma base fragmentada, enquanto adversários ampliam alianças. Em 2017, Sartori assistiu ao esvaziamento de sua sustentação e à migração estratégica de partidos para um projeto considerado mais competitivo. Hoje, o movimento se inverte, e quem vê aliados pulando do barco é o próprio Leite.

Na política gaúcha, a lição parece clara: partidos não costumam apostar em projetos que demonstram fragilidade. Quando a percepção de viabilidade muda, as alianças também mudam. E, como a história mostra, o abandono raramente acontece por acaso.

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