A CPI dos Pedágios começou com uma pergunta simples: quantos veículos por minuto justificam o valor cobrado nas praças? Terminou com uma aula apressada de direito constitucional ministrada por quem parecia mais preocupado com o próprio microfone do que com o bolso do contribuinte.
Durante os questionamentos ao secretário de Reconstrução, Pedro Capeluppi, a resposta sobre o cálculo dos veículos por minuto veio cheia de voltas, desvios e nenhuma objetividade. Parlamentares insistiram. O governo demonstrou visível desconforto.
Mas o clima esquentou mesmo quando o líder do governo, Frederico Antunes, teve de aguardar sua vez para falar. Segundo ele, seu áudio e vídeo foram interrompidos de forma abrupta na sessão híbrida da Comissão.
O episódio rendeu um requerimento robusto, recheado de citações à Constituição Federal, à Constituição Estadual e ao Regimento Interno. Inviolabilidade parlamentar, liberdade de expressão, publicidade dos atos, poderes de CPI. Tudo devidamente fundamentado.
Curioso é que a mesma ênfase constitucional não foi vista quando o tema central era o cálculo que impacta diretamente o valor do pedágio pago pela população. Ali, o debate parecia menos urgente.
No documento, o deputado pede degravação integral, cópia da mídia bruta, esclarecimentos técnicos e anexação formal do incidente aos autos da CPI. Um verdadeiro tratado sobre o direito de concluir o raciocínio.
Enquanto isso, segue a pergunta que motivou a tensão: afinal, qual é o número real de veículos por minuto que sustenta a conta apresentada ao gaúcho?
A CPI foi criada para investigar contratos e números. Mas, por alguns minutos, o foco mudou. O problema deixou de ser o pedágio e passou a ser o microfone.
Entre o cálculo do pedágio e o corte do microfone, a CPI ganha novo capítulo
Por J. Saraiva
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