Parte da imprensa que apoia o governo de Eduardo Leite decidiu atacar a CPI dos Pedágios antes mesmo de ela começar a trabalhar. Ao dizer que a comissão “nasce fadada ao fracasso”, esses jornais deixam de informar e passam a defender o governo, tentando desqualificar um instrumento legítimo de fiscalização.
A CPI existe porque há perguntas claras que precisam de resposta. O valor das tarifas, o número de pórticos, o modelo de cobrança free flow, os impactos nos municípios, no turismo e o uso de recursos do Funrigs são temas concretos, que afetam diretamente a vida dos gaúchos. Isso não é ideologia, é dever do Parlamento.
Dizer que investigar afugenta investidores é um argumento frágil. Transparência e debate sério fortalecem contratos e dão mais segurança, não menos. O que afasta confiança é impor um modelo sem escutar a sociedade e sem aceitar questionamentos.
Também não é honesto comparar o Rio Grande do Sul com outros estados, como o Paraná, como se a realidade fosse a mesma. Cada estado tem suas particularidades. O fato de o BNDES ter participado do modelo não torna o projeto perfeito nem acima de críticas.
Tentar ridicularizar a CPI é desviar do foco, afinal a comissão foi criada por causa de um modelo de pedágios que gera dúvidas reais e legítimas.
A CPI dos Pedágios incomoda porque obriga o governo a explicar suas escolhas. Quando jornais escolhem proteger o poder em vez de questioná-lo, deixam de cumprir seu papel. Fiscalizar não é radicalismo, é democracia.
Imprensa aliada ao governo tenta desqualificar CPI dos Pedágios antes do debate começar
Por J. Saraiva
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