O que era para ser um marco histórico de consenso na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul em defesa das mulheres terminou em tensão, bate boca e uma grave acusação dentro da própria Comissão de Constituição e Justiça, conforme noticiou Rosane de Oliveira em sua coluna.
A reunião desta terça-feira, que havia sido anunciada como símbolo de acordo pluripartidário para acelerar 18 projetos voltados à proteção das mulheres, rapidamente saiu do roteiro. Sete propostas tiveram parecer de constitucionalidade aprovado e podem integrar o chamado pacote antifeminicídios. Mas o clima de união durou pouco.
A primeira faísca surgiu durante a análise de um projeto da deputada Luciana Genro que trata do combate à violência contra mulheres nos estádios de futebol. O presidente da CCJ, Frederico Antunes, pediu vista para examinar a constitucionalidade da matéria. O gesto foi interpretado pela parlamentar como falta de sensibilidade diante da urgência do tema.
Minutos depois, na discussão de outro projeto, o embate ganhou intensidade. Ao tentar reforçar a gravidade da violência enfrentada pelas mulheres, Luciana foi interrompida sob o argumento de que a comissão deveria se ater à análise técnica de constitucionalidade, e não ao mérito das propostas.
O episódio teve desdobramento ainda mais forte quando, ao ler parecer de outro projeto, a deputada se emocionou e chorou em plenário, declarando indignação com a condução dos trabalhos.
A situação escalou quando a procuradora especial da Mulher da Assembleia, Bruna Rodrigues, classificou o ocorrido como violência política de gênero.
O que deveria consolidar uma agenda unificada contra o feminicídio acabou expondo fissuras profundas.
Pacote em defesa das mulheres termina em choro e acusação na CCJ
Por J. Saraiva
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