A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Rio Grande teve obra, discurso e assinatura de contrato. Mas, nos bastidores e nas fotos oficiais, o verdadeiro roteiro foi outro. Com Edegar Pretto fora de cena, porque tinha a desculpa de estar se recuperando de cirurgia no nariz, quem ocupou todos os espaços possíveis foi o deputado federal Paulo Pimenta.
Sem concorrência interna, Pimenta colou em Lula como quem sabe que imagem vale mais do que discurso. Foram dezenas de registros ao lado do presidente, conversas estrategicamente fotografadas e presença constante em todos os momentos relevantes da agenda. Oficialmente, tratava-se de uma visita institucional. Na prática, virou vitrine pessoal.
Pretto é o nome do PT para o Piratini. Pimenta mira o Senado. A matemática é simples e a intenção ficou clara. Onde faltou o pré-candidato ao governo, sobrou espaço para quem quer mostrar força, proximidade e bênção presidencial. Nem mesmo Manuela D’Ávila, também pré-candidata ao Senado, apareceu. O palco ficou livre.
Outro detalhe nada discreto foi a presença constante de Beto Albuquerque ao lado de Pimenta. Nos corredores, corre solta a leitura de que o ex-deputado pode ser o escolhido para compor a chapa como suplente. As fotos, como sempre, ajudam a contar a história antes do anúncio oficial.
A cereja do bolo veio no deslocamento. A convite de Lula, Pimenta integrou a comitiva oficial e viajou no avião presidencial, ao lado apenas da deputada Maria do Rosário. O restante da bancada petista ficou em casa, sob a justificativa do recesso parlamentar, inclusive Alexandre Lindenmeyer, que é de Rio Grande.
Nada foi improviso. Nada foi acaso. Em política, espaço vazio não fica vazio por muito tempo. E Pimenta tratou de ocupar cada centímetro, deixando claro que, quando a agenda é institucional, mas a eleição se aproxima, a prioridade muda. A obra pode ser do governo. O palanque, ele já começou a montar.
Pimenta ocupa espaço ao lado de Lula e transforma visita oficial em ensaio de campanha
Por J. Saraiva
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