A visita de Edinho Silva a Porto Alegre deixou um recado claro, mesmo que não dito em voz alta. Entre elogios repetidos a Juliana Brizola e malabarismos verbais para manter Edegar Pretto na vitrine, o presidente nacional do PT deixou transparecer o óbvio. O partido anda preocupado com o desempenho do seu candidato e tenta se encostar no fôlego eleitoral de Juliana para evitar um vexame em 2026.
Enquanto Edinho garante que “ninguém vai sacrificar ninguém”, o discurso revela outra coisa. A cada menção à força de Juliana nas pesquisas, surge um afago extra ao PDT. A cada tentativa de inflar Pretto, aparece a necessidade de “amplo diálogo”, “tática eleitoral” e “palanque forte”. Traduzindo, o PT tenta dourar a pílula porque sabe que a candidatura própria não decolou e precisa de uma muleta competitiva.
O PDT quer reciprocidade, Lupi pede o Rio Grande do Sul e o PT finge que quem manda é a direção estadual, embora siga rondando Juliana como quem procura salva-vidas antes de entrar no mar.
No fim do dia, a cena fala mais alto que as palavras. O PT elogia Pretto com a cautela de quem sabe que a pesquisa não ajuda, e elogia Juliana com o entusiasmo de quem adoraria terceirizar o protagonismo. Em política, ninguém abraça tanto um aliado sem antes reconhecer sua própria fraqueza.
PT mira Juliana Brizola porque sabe que seu próprio candidato não empolga
Por J. Saraiva
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