A Parada Livre e a Marcha Trans reuniram milhares de pessoas no Parque da Redenção, mas deixaram para trás um rastro que ninguém gosta de assumir. A reclamação do prefeito Sebastião Melo não surgiu por acaso. Bastou o evento terminar para que o DMLU encontrasse o tradicional cenário de copos, garrafas, embalagens e todo tipo de lixo espalhado pelo parque. Nada disso caiu do céu, como lembrou o prefeito, e muito menos desaparece sozinho.
É irônico ver discursos inflamados sobre direitos e respeito convivendo com a absoluta falta de cuidado com o espaço público. A Redenção é de todos, porém não existe direito coletivo sem responsabilidade coletiva. Enquanto um batalhão do DMLU precisou ser deslocado para remover o que foi deixado para trás, sobra a sensação de que parte dos participantes exige respeito, mas se recusa a praticá-lo.
Porto Alegre merece manifestações que celebrem diversidade e liberdade, mas não merece ser tratada como depósito de fim de festa.
Quando a pauta é “liberdade”, mas o compromisso com a cidade some no caminho
Por J. Saraiva
| | 46 visualizações