Em mensagem enviada à base do Progressistas, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, resolveu vestir a fantasia de rebelde institucional e acusar o presidente do partido, Covatti Filho, de falta de isenção por antecipar para 20 de janeiro a decisão sobre os rumos do PP na eleição de outubro.
Curiosamente, a súbita indignação surge no exato momento em que Polo anuncia sua saída do governo, marcada para 12 de janeiro, o que lhe renderia generosos oito dias para “ouvir a base” após meses acomodado na cadeira de secretário. Tempo curto para diálogo, mas aparentemente suficiente para espalhar desconfiança interna.
O discurso é conhecido. Fala-se em neutralidade, método e construção coletiva, enquanto se tenta empurrar o partido para uma crise artificial. A alegação de que o presidente não poderia conduzir o processo por ser pré-candidato ignora um detalhe nada pequeno. O próprio Polo também se apresenta como pré-candidato e, ainda assim, não vê conflito em tentar redesenhar as regras no meio do jogo.
Nos bastidores, a leitura é simples. A rebeldia não nasce da defesa da democracia interna, mas da sedução política exercida pelo Palácio Piratini e pelo projeto do governador Eduardo Leite.
O resultado é um roteiro previsível, dividir o PP, fragilizar sua direção e criar instabilidade onde deveria haver unidade.
Seduzido pelo projeto de Leite, Polo se rebela e tenta dividir o PP gaúcho
Por J. Saraiva
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