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BBB 26 expõe virada cultural e incomoda a militância ao refletir valores conservadores em ascensão no Brasil

Por J. Saraiva

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BBB 26 expõe virada cultural e incomoda a militância ao refletir valores conservadores em ascensão no Brasil
Declarações feitas por participantes do Big Brother Brasil 26 sobre estudo, trabalho, responsabilidade social, Bolsa Família e identidade racial desencadearam uma reação desproporcional nas redes sociais. Setores organizados da militância de esquerda passaram a rotular automaticamente os envolvidos como “bolsonaristas” ou “propagadores de fake news”, numa tentativa clara de desqualificar opiniões que fogem do discurso ideológico dominante.

O que se vê, no entanto, é algo maior do que um simples conflito dentro de um reality show. As reações agressivas, os ataques pessoais e as tentativas de cancelamento revelam o desconforto de uma militância que já não consegue controlar o debate público. O BBB 26 passou a ser chamado de “a edição mais bolsonarista da história” porque seus participantes verbalizam valores cada vez mais presentes na sociedade brasileira, como mérito, autonomia individual, igualdade perante a lei e crítica ao uso distorcido de políticas públicas.

A atriz Solange Couto, de 69 anos, tornou-se alvo ao relatar uma vivência pessoal fora do programa. Em conversa no confinamento, afirmou ter presenciado situações em que adolescentes eram desencorajadas a estudar e incentivadas a ter mais filhos para manter benefícios sociais. Solange foi clara ao separar a política pública de sua má utilização, destacando que o problema não está no Bolsa Família em si, mas na dependência estimulada por escolhas equivocadas. “Eu vi, ninguém me contou não, eu estava lá.

Outro episódio que acirrou os ânimos ocorreu durante uma conversa entre Milena, de 26 anos, e a colega Sol. Empreendedora e estudante de terapia ocupacional, Milena afirmou não pautar suas relações por critérios raciais, defendendo a igualdade entre as pessoas sem rótulos ou divisões impostas.

“Eu tenho história. Só que ela falou pra mim que tinha que se unir. Eu não tenho que me unir com ninguém porque é da mesma cor que eu. Eu nem ligo com coisa de cor. Todo mundo é igual. O que tem, gente? Eu sou preta, mas não sou diferente do branco”, declarou.
Essas falas, longe de extremismo, representam justamente o ideal que cresce no Brasil. Um pensamento mais conservador nos valores, liberal na responsabilidade individual e contrário à vitimização permanente. O incômodo da militância deixa claro que o bolsonarismo, mais do que um nome, tornou-se um fenômeno cultural e social, que atravessa gerações, classes e agora também o entretenimento.

O BBB 26 apenas escancarou uma realidade. O Brasil mudou, e parte do público já não aceita mais ser silenciada por rótulos ideológicos ou intimidação virtual.

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