Enquanto Edegar Pretto segue se apresentando como pré-candidato do PT ao governo do Estado, Lula sinaliza disposição para dialogar com outros nomes. E não foi um gesto discreto. Juliana Brizola saiu da reunião falando em “caminhos possíveis”, “projeto sério” e até em esperança. Em política, esperança com a bênção presidencial costuma ter endereço certo.
A cena expõe uma ironia difícil de ignorar. Pretto construiu sua narrativa como protagonista da esquerda no Rio Grande do Sul, mas pode estar assistindo, da primeira fila, à reorganização do tabuleiro sem ter sido avisado do roteiro completo. Nada mais constrangedor para um pré-candidato do que descobrir pelos corredores aquilo que deveria saber pela mesa principal.
Se a aproximação evoluir, o PT corre o risco de viver um daqueles momentos clássicos da política: perceber tarde demais que o plano A talvez nunca tenha sido prioridade. Afinal, quando o maior líder do partido abre espaço para novas composições, não é apenas diálogo, é sinalização.
No fim, resta saber se Pretto já entendeu o recado. Porque, na política, o silêncio raramente significa tranquilidade. Muitas vezes, é apenas o som de uma candidatura perdendo altitude.
Pretto perde altitude enquanto Lula ensaia novo voo com Juliana Brizola
Por J. Saraiva
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