Ao relembrar sua atuação durante as enchentes no debate entre os pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza fez questão de destacar que não estava nos jet-skis realizando resgates.
Segundo ele, sua contribuição foi outra.
"Não andei de jet-ski no Rio Guaíba como alguns fizeram. Fiquei despachando da sede da prefeitura ou da Universidade de Santa Cruz do Sul. Coordenei os gabinetes de crise nas enchentes."
A declaração acabou produzindo uma comparação inevitável. Enquanto milhares de voluntários, bombeiros, policiais, militares e civis enfrentavam água, lama e correntezas para retirar famílias de áreas inundadas, Gabriel destacou o trabalho realizado atrás das mesas de reunião.
Numa das maiores tragédias da história do Rio Grande do Sul, o vice-governador fez questão de registrar que sua atuação não ocorreu na linha de frente dos resgates, mas na coordenação administrativa da crise. Uma escolha legítima, mas que ajuda a ilustrar a diferença entre quem organizava as planilhas e quem carregava pessoas nos braços para fora da água.
Ao tentar explicar seu papel durante a calamidade, Gabriel acabou deixando claro onde estava. E, principalmente, onde não estava.
Gabriel e o lado seco da enchente
Por J. Saraiva
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