Os Correios decretaram greve geral por tempo indeterminado, com paralisação confirmada em ao menos sete estados: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. A decisão foi aprovada por sindicatos da categoria e atinge diretamente o período de maior demanda do ano, às vésperas do Natal.
Se existia alguma dúvida, ela acabou. Ao cruzar os braços justamente neste momento, a estatal praticamente pede para ser privatizada. Ninguém aguenta mais ser refém de um serviço que some quando mais é necessário. Milhares de brasileiros aguardam encomendas, presentes, documentos, enquanto a empresa simplesmente fecha as portas.
A greve ocorre em meio a um rombo bilionário, que já supera R$ 6 bilhões, e à tentativa dos Correios de obter um empréstimo com garantia do Tesouro Nacional. Ou seja, depois de anos de má gestão, a conta novamente ameaça cair no colo do contribuinte. Ainda assim, a resposta é paralisar o serviço e ampliar o caos.
As reivindicações reforçam o descolamento da realidade. Benefícios elevados, adicionais e novas exigências são colocados na mesa enquanto pequenos comerciantes, trabalhadores do setor privado e consumidores ficam sem prazo, sem informação e sem alternativa. O prejuízo não é apenas financeiro, é social e de confiança.
O roteiro se repete ano após ano. Greve estratégica, caos logístico, discurso de direitos e nenhuma entrega de eficiência. A população cansa, a paciência acaba e a antipatia cresce. Não se trata mais de ideologia, trata-se de esgotamento.
Ao escolher o Natal para parar, os Correios não fazem protesto, fazem campanha. Campanha aberta pela privatização. Porque quando um serviço essencial vira chantagem recorrente, a sociedade passa a desejar, sem culpa, que alguém assuma, funcione e entregue.
Greve no Natal, Correios praticamente imploram pela privatização
Por J. Saraiva
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