Opinião

Messias da despolarização, a fantasia confortável de quem foge do confronto político

Por J. Saraiva

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Messias da despolarização, a fantasia confortável de quem foge do confronto político
Eduardo Leite resolveu vestir a fantasia do messias da paz política, vendendo a ideia de uma despolarização salvadora, neutra e quase espiritual. Bonito no discurso, vazio na prática. Política sem polarização não existe. Se existisse, não haveria direita e esquerda, situação e oposição, ideias em choque e escolhas claras. Haveria silêncio. E silêncio, em política, costuma ter outro nome.

A tal despolarização defendida como virtude soa mais como um convite ao conformismo. Um povo dócil, que aceita tudo sem questionar, que engole populismo, inércia e discurso pronto em nome de uma falsa harmonia. Ficar em cima do muro não é sinal de equilíbrio, é suicídio político. E tentar se vender como o grande reconciliador nacional é, no fundo, pedir que a sociedade pare de discordar.

Todos os avanços sociais, econômicos e civilizatórios nasceram do inconformismo. Da tensão entre ideias, da disputa de projetos, do choque de visões. A unanimidade, essa sim, é burra. E paz política absoluta não existe nem em Nárnia, muito menos no mundo real.

Vale lembrar ainda que a polarização não surge do nada. Ela cresce porque o país é governado por um presidente cuja principal plataforma é atacar adversários e dividir o debate em nós contra eles. Diante disso, posar de neutro iluminado não resolve o problema. Só disfarça a omissão com palavras bonitas.

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