A denúncia feita por ex-servidoras da Secretaria da Mulher do Rio Grande do Sul revela mais uma polêmica construída a partir de interpretações ideológicas e da intolerância à fé, não de um ato concreto de discriminação ou imposição. O que, na visão da titular da pasta, Fábia Richter, teria sido um gesto voluntário de união, acolhimento e fortalecimento emocional em um ambiente marcado por dor e violência, acabou transformado em acusação por pessoas que não compartilham da mesma crença ou que optaram por enxergar conflito onde não houve obrigatoriedade.
Segundo a própria secretária, os momentos de oração eram opcionais, sem qualquer imposição ou prejuízo funcional a quem não desejasse participar. Ainda assim, a iniciativa foi interpretada como prática irregular e levada ao Ministério Público do Estado e ao Ministério Público do Trabalho, num movimento que parece menos preocupado com a proteção das vítimas e mais voltado à criação de narrativa política e desgaste público.
A Secretaria da Mulher esté em fase inicial de reestruturação, após ter sido recriada justamente em resposta ao aumento alarmante dos casos de feminicídio no Estado. Seria natural unir forças até as espirituais.
Transformar um gesto simbólico e facultativo em escândalo institucional não contribui em nada para o fortalecimento da rede de proteção às mulheres. Ao contrário, desvia o foco do que realmente importa, que é a implementação de ações efetivas, baseadas em estrutura, acolhimento e resposta rápida às vítimas. A tentativa de criar polêmica em torno da fé, em vez de cobrar resultados concretos, apenas fragiliza uma pauta que deveria unir, não dividir.
Oração opcional vira polêmica e desvia foco da proteção às mulheres no RS
Por J. Saraiva
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