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Relatório de deputadas gaúchas aponta falhas graves no combate aos feminicídios no RS

Por J. Saraiva

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Relatório de deputadas gaúchas aponta falhas graves no combate aos feminicídios no RS
Um relatório elaborado por uma Comissão Externa formada por seis deputadas federais gaúchas revelou fragilidades estruturais no enfrentamento aos feminicídios no Rio Grande do Sul. O documento será apresentado na próxima terça-feira (10), às 9h, na Assembleia Legislativa, após oito meses de trabalho que incluíram cerca de 40 audiências públicas e visitas técnicas em diferentes regiões do Estado.

Foram oito meses de trabalho da comissão, que realizou cerca de 40 audiências públicas e visitas técnicas em diferentes regiões do Estado. O objetivo das parlamentares Fernanda Melchionna (PSOL), Any Ortiz (Cidadania), Franciane Bayer (Republicanos), Daiana Santos (PCdoB), Denise Pessôa (PT) e Maria do Rosário (PT) era buscar soluções baseadas na realidade encontrada nos territórios, nas legislações estadual e federal e em estudos e pesquisas.

O estudo identifica baixo investimento, desarticulação de políticas públicas e falhas na rede de atendimento como fatores que contribuem para a persistência da violência.

Com base em dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as parlamentares destacam que o Rio Grande do Sul lidera o número de assassinatos de mulheres que já tinham medidas protetivas. Para a comissão, o índice expõe falhas na articulação entre segurança pública, Judiciário e políticas assistenciais, além de fragilidades no monitoramento dos agressores.]

Atualmente, as Patrulhas Maria da Penha atendem menos de um terço dos municípios gaúchos, o que limita o acompanhamento das vítimas. Entre 2021 e 2024, foram registradas, em média, 54 mil denúncias anuais de violência contra mulheres, indicador que reforça a avaliação de que o feminicídio costuma ser o desfecho de agressões já conhecidas pelas autoridades.

O documento ainda aponta obstáculos como a dificuldade de acesso a serviços especializados, a escassez de delegacias e casas de abrigo e a descontinuidade no atendimento. Em muitos municípios, mulheres precisam percorrer longas distâncias para buscar proteção, enfrentando demora e, por vezes, desistindo do apoio institucional.

Como encaminhamento, a comissão apresenta recomendações que envolvem ampliação de orçamento, melhoria da gestão, maior articulação entre os órgãos públicos, fortalecimento das políticas de prevenção e proteção, além da integração e padronização nacional dos registros e estatísticas. O objetivo é estruturar um sistema mais eficiente, capaz de evitar que a violência anunciada continue resultando em mortes.

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