Em cima do muro, Eduardo Leite revela seu esquerdismo bem ensaiado ao condenar intervenção na Venezuela
Por J. Saraiva
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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, resolveu mais uma vez exercer sua especialidade política favorita, a arte de ficar em cima do muro.
Ao classificar como “inaceitável” a ação dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, Leite tentou equilibrar o discurso com uma mão na direita e o pé firmemente apoiado na esquerda.
Em sua manifestação, o governador até reconhece o óbvio, chama o regime de Maduro de ditatorial, admite violações de direitos humanos, sufocamento de liberdades e o sofrimento imposto ao povo venezuelano. Até aí, tudo certo. O problema começa logo depois, quando surge o famoso “ou seja”. E talvez nunca essa expressão tenha sido tão reveladora.
Ou seja, Leite condena o ditador, mas condena com ainda mais empenho quem efetivamente agiu contra ele. Ao reprovar a intervenção americana sob o discurso clássico da soberania e do anti-imperialismo, o governador expõe seu oportunismo político, flertando com a direita no discurso e abraçando a cartilha esquerdista quando o assunto é enfrentar ditaduras amigas do campo ideológico.
Na prática, a mensagem é clara. Todo povo que sofre merece solidariedade, desde que seja apenas retórica. Ações reais, decisões duras e enfrentamento concreto ao narcoterrorismo e às ditaduras parecem não fazer parte do cardápio de convicções do governador. Vale a nota de repúdio, vale o post nas redes sociais, vale o discurso confortável que não desagrada ninguém e não resolve nada.
Ao defender que “os princípios diplomáticos devem prevalecer”, Leite repete o mesmo discurso que há anos serve apenas para dar sobrevida a regimes autoritários na América Latina. Paz e cooperação são palavras bonitas, mas inúteis quando usadas para justificar a inércia diante da tirania.
No fim, Eduardo Leite deixa claro quem ele é politicamente. Um gestor que tenta agradar todos, mas acaba revelando sua verdadeira posição quando o assunto é escolher entre combater ditaduras ou condenar quem teve coragem de agir. Em cima do muro, mais uma vez, o governador prefere o conforto da ambiguidade à firmeza das convicções.