Bastidores

PSOL briga consigo mesmo e ainda tenta posar de vítima

Por J. Saraiva

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PSOL briga consigo mesmo e ainda tenta posar de vítima
A crise no PSOL de Porto Alegre ganhou novos capítulos, e nenhum deles ajuda a melhorar a imagem do partido que já anda arranhada. Depois de abandonar a própria relatora no processo de cassação de Gringo, a bancada decidiu divulgar uma nota oficial para justificar a abstenção num caso que envolvia ilegalidade clara e quebra de decoro.

Karen Santos fez um discurso duro, afirmou que viveu um “dia muito triste para a Câmara” e lembrou que seu relatório foi elogiado até por quem discorda politicamente dela. Nada disso impediu que sua bancada a deixasse sozinha no momento decisivo. O PSOL, que adora posar de guardião da moralidade, resolveu pular fora do barco no minuto final e depois reclamou de ser cobrado por isso.

A nota do partido diz que o processo foi “acelerado”, que faltou “mobilização popular” e que tudo não passou de um “ajuste de contas” dentro da base do governo.

O argumento mais curioso é o de que a abstenção teria sido um gesto “em defesa da democracia” para evitar um “precedente autoritário”. O PSOL conseguiu a façanha de transformar um vereador acusado de manter contratos com o poder público e de pagar propina em símbolo da liberdade. Se essa é a régua, fica difícil levar a sério qualquer discurso futuro sobre combate à corrupção.

Karen Santos, por sua vez, virou alvo indireto do próprio partido. A nota a acusa de não ter “construído a posição coletivamente”, sugere que seu parecer foi isolado e deixa claro que a maioria da bancada tinha outro plano. Ou seja, quando o PSOL fala em “ambiente hostil”, talvez devesse olhar primeiro para dentro da própria sala de reunião.

No fim, a bancada tenta blindar sua imagem dizendo que não aceitará a “calúnia” de que protege corruptos. Mas fato é fato: diante de um caso com provas e denúncias formais, o PSOL escolheu a abstenção. Preferiu não contrariar suas brigas internas em vez de assumir responsabilidade política.

Se tem algo que o episódio revela é simples. O PSOL, que tanto critica os outros, não consegue nem manter coesão entre os seus.

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