Circula nos corredores da Câmara Municipal de Porto Alegre que vereadores de esquerda devem solicitar reforço na segurança do Parlamento na próxima segunda-feira, dia em que está prevista a apreciação do pedido de cassação do vereador Gilvani o Gringo.
A tensão aumenta porque a vereadora Karen Santos (PSOL), relatora do processo na Comissão de Ética, seria hoje a mais visada e a que mais se sente ameaçada. Não por acaso. Foi ela quem preparou o relatório que pede a cassação de Gringo, apontando quebra de decoro parlamentar, incluindo a acusação de pagamento de propina a agentes públicos no ano de 2015.
Do outro lado está um vereador em rota de saída, politicamente isolado, que passou pela Câmara sem construir pontes, sem diálogo e sem articulação. Um histórico marcado por irregularidades, conflitos e uma postura de confronto permanente, sempre com a boca maior do que a capacidade de sustentar suas próprias palavras.
Na coletiva de imprensa após a conclusão do processo na Comissão de Ética, Gringo preferiu o ataque à defesa. Disparou ameaças para todos os lados, elevou o tom, personalizou o debate e transformou um processo político e institucional em um discurso de ódio explícito. O efeito foi imediato. O clima azedou, os ânimos se exaltaram e o ambiente ficou ainda mais pesado.
A receita do fracasso é velha e conhecida. Eis o “político”, com aspas bem grandes, já que só ele parece acreditar nesse título. Não dialoga, não articula, não constrói, não apresenta um único argumento consistente para rebater as acusações e aposta todas as fichas na intimidação.
O efeito colateral é óbvio: Parlamento em alerta, vereadores preocupados com a própria segurança e uma sessão que caminha para entrar na lista das mais tensas e constrangedoras para encerrar 2025.
Sessão da cassação de Gringo deve ocorrer sob clima de tensão e reforço na segurança da Câmara de Porto Alegre
Por J. Saraiva
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